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segunda-feira, 25 de julho de 2016

A nova personagem de Overwatch: Ana


(Estou postando bem atrasado. O motivo é um um notebook + world of warcraft + corrida pelo anel lendário + Outlaw Rogue + Demo Warlock. hahaha)

Pouco depois do seu lançamento oficial, Overwatch já apresentou um novo personagem a sua lista. Um tanto cedo, se me permite dizer. Trata-se de Ana Amari, quinto personagem do tipo suporte, membro fundadora da Overwatch e mãe de Faheera Amari (Pharah). Como Ana já estava presente em artes do jogo ao lado de Reyes e de Morrison, era de se esperar que ela aparecesse de alguma forma. Como ela estava dada como morta, especulava-se que ela seria Sombra, uma aliada de Reaper.

Ana sempre esteve lá




Supostamente seria Sombra
Pois bem, Ana é uma excelente personagem e vou listar a seguir os motivos:

1) Jogabilidade única

A menos que eu esteja enganado, é a primeira vez que um suporte de Sniper aparece em um jogo. O que é algo bem bacana de se pensar. Ana pode ficar nas linhas de atrás atacando e curando com sua arma biótica. Meu amor tem medo de jogar com ela porque para curar requer uma boa mira. Além disto, ela parece ser a personagem com o maior número de habilidades em Overwatch, a saber: cura, potencializador de cura, bloqueio de cura, sleep e um buff de velocidade de força. São cinco habilidades no total, o que a faz ser uma personagem mais focada no aproveitamento de suas habilidades do que no combate.





2) Representação positiva

Ana trás uma pequena diversificação ao jogo. Apesar de ser outra personagem egípcia feminina, ela trás uma variação geracional (de geração) que é rara: Ana é uma mulher de 60 anos. Essa representação não é fácil de ser encontrada - tenho a minha teoria de que a Jill e a Claire no Resident Evil são sempre colocadas em segundo plano por serem "velhas demais". Mas não obstante ainda ela estar lá, sua representação é extremamente positiva e fiel. Ela não está representada como uma mulher fraca e lenta, sem capacidade de se defender ou infantilizada, como muitas pessoas idosas são representadas em diversas mídias. Ao invés disto, ela é confiante, determinada, com plenas capacidades, pula, corre e ajuda o time com suas habilidades. E isto sem tirar nenhuma de suas rugas e marcas de expressão.


3) Sua história é centrada em si mesma

Não seria eu se não tivesse este comentário, né? Ana é mais uma das mulheres fortes de Overwatch que não possuem histórias que giram ao redor de outros homens. Apesar de Morrison e Reyes estarem lá, sua história não depende das ações, opiniões e atitudes destes personagens, pois ela é focada na própria Ana. Até mesmo a questão da maternidade em relação à Pharah não é trabalhada de forma clichê ou exploratória, como se fosse um erro não abdicar de tudo para virar uma dona de casa.


Enfim, Ana Amari tá de nota 10!
Tomara que os próximos personagens sigam esta linha.

sábado, 28 de maio de 2016

Cultura do Estupro


Criei coragem e vim escrever mais uma postagem (tenho três no rascunho, mas pouco tempo e energia).

Quarta-feira dia 25 de Maio de 2016, um vídeo começou a circular na internet. Uma menina de 16 anos desacordada, sangrando, e homens rindo e fazendo chacota dela. O contexto: Trinta homens tinha drogado e abusado sexualmente na menina. TRINTA HOMENS!

E isto apenas a sete dias depois do 18 de Maio, dia NACIONAL de combate ao abuso e à exploração sexual de crianças e adolescentes. Entristeceu muito o meu dia.


Depois disso, começou um movimento questionando se a cultura do estupro realmente existe.

Sinto muito, geeks e gamers, mas a cultura do estupro existe sim.
Inclusive, a comunidade nerd/geek/gamer é muito machista!

A cultura do estupro é aquele conjunto de ideias e argumentos que dizem que existem casos em que a mulher merece ser estuprada; ou que, ainda, a culpa por ter sido estuprada foi dela e não da pessoa que deliberadamente a estuprou.

Se uma mulher andar nua em um canto cheio de homens adultos, ela merece:
A) Ser estuprada
B) Responder por atentado ao pudor

Jill Valentine. Pena que aos olhos da Capcom
ela não serve de protagonista para a linha principal.
Se você pensou que a letra A era uma resposta adequada, você ajuda a manter a cultura do estupro. Você ajuda a perpetuar a ideia de que o corpo da mulher é um objeto, e que os homens possuem o direito de usufruir deste objeto. Sinto lhe informar, mas mulheres não são objetos, elas são seres humanos e nada (repito NADA) justifica violar a integridade física delas.

Inclusive, a cultura do estupro cria diversos argumentos falsos para colocar a culpa na vítima, e desviar o foco do agressor: Se ela estivesse estudando isto não aconteceria; se ela estivesse na igreja isto não aconteceria; se estivesse em casa isto não aconteceria; se estivesse trabalhando estaria tudo bem; se tivesse um namorado fixo ela não sofreria estupro; se ela tivesse inocência ela não seria estuprada...

E o que querem dizer com isto? Quer dizer que se ela sair de casa/da igreja/dos estudos isto dá a um homem o direito de violá-la? ME POUPEM!


E daí eu quero chegar em outro ponto: os vídeo-games, assim como outras mídias, colaboram para manter a ideia de que mulheres são objetos e seus corpos são mercadoria a disposição dos homens.

Contribuímos para que os homens se sintam no direito de estuprar as mulheres quando:

- quando falamos que toda garota gamer quer atenção ou namorado;
- quando falamos que garotas gamers que tem namorados não deveria jogar, mas fazer "algo produtivo";
- assediamos as mulheres que estão jogando conosco no Call of Duty ou no Battlefield;
- xingamos um jogador no MOBA assim que descobrimos que é uma mulher;
- passamos a dar stalk no profile de jogadoras nas redes de gamers;
- quando começa a xingar qualquer mulher de louca, vagabunda, promiscua, etc... quando ela reclama de alguma coisa que as ofende (eu ouvi Tracer?)
- reclamamos que uma personagem X ou Y é ruim porque ela não é sexy o bastante, como se toda mulher tivesse essa obrigação;
- reclamamos que mulher não serve para ser protagonista de um filme ou de um jogo (Widowmaker dos Vingadores foi alvo de uma polêmica destas)
- quando usamos expressões tipo "joga igual mulher" para jogador ruim, ou então quando colocamos que lugar de mulher nos jogos é sendo suporte/curador dos jogadores homens.


Em todos os casos acima, a comunidade está reforçando a ideia de que mulheres são objetos/são inferiores aos homens. O estupro não é fruto de um desejo incontrolado, é uma questão de poder, de afirmação de uma superioridade, de corrigir uma mulher por ela não ser submissa ou atender as expectativas. O estupro é um ato intencional que tem como raiz o a ideia de que a mulher está lá para ser usada. Que os homens tem este direito. 

Não são monstros. Todo homem estuprador é uma pessoa normal que aprendeu que ele pode estuprar as mulheres, que se sentiu legitimado pela sociedade, pelos amigos, pelos colegas. Legitimado não apenas de forma direta, com incentivos, mas também de forma indireta, a partir das nossas omissões e silêncios.

Então, quando você nerd/geek faz alguma das coisas listadas mais acima, você reforça a cultura do estupro. Quando você vê uns amigos fazendo piadas sobre estupro ou sobre abusar de mulheres, você está ajudando a manter no ar a ideia de que é legitimo abusar do corpo das mulheres. Você é responsável sim pelo machismo nosso de cada dia, de cada partida, de cada chat.


Finalizo este post com um trecho de um texto muito bom:

"Eu não luto o suficiente contra a cultura do estupro. Qualquer luta da qual eu faça parte terá suas limitações nesse sentido: sou homem, e por mais que tenha alguma criticidade, que tente problematizar o machismo, questionar o patriarcado, não consigo por minha própria conta me desfazer dos privilégios que tenho pela condição de ser homem. Nós, homens, somos os únicos responsáveis históricos pela criação das bases materiais e subjetivas que criam as condições para que tenhamos uma vítima de estupro a cada 11 minutos no Brasil, e somos os maiores responsáveis por sua reprodução cotidiana. Eu, você e todos os demais somos os responsáveis"


Fica a reflexão.
(E amanhã faço meu post sobre Spellweaver. Questão de honra!)

segunda-feira, 16 de maio de 2016

O dia em que League of Legends deu um show na Blizzard



Eu não sou uma pessoa muito fã de League of Legends. Quase não jogo mais, embora ainda tenha o jogo instalado no meu notebook. Porém, nunca deixei de acompanhar os lançamentos do jogo. E, nestes últimos tempos, tenho curtido muito duas personagens: Illaoi, a sarcedotiza craquém, e a nova heroína Talyiah.

São personagens femininas bem interessantes e diferentes. Illaoi é durona e tem como lema "ossos quebrados ensinam melhor que sermões". Ela é tipo a versão feminina do Braum, mas com uma personalidade mais legal.

Já Talyiah é uma jovem litomante (dobradora de terra), que possui um objetivo em mente e convive com o medo de acabar ferindo os outros por não controlar completamente seus poderes. Além de ter um visual bem cool e diferente.

Feita esta contextualização, surge o fato gerador: Os jogadores começaram a reclamar que a Talyiah é uma personagem feminina ruim, por ser pouco sexy. Que League of Legends precisa de mais personagens (mulheres) sexy's e que ela tinha um design tosco. Really comunidade?

E não apenas isto, as reclamações versavam não apenas sobre sua falta de curvas, mas também sobre sua etnia, como por exemplo, na questão sobre o nariz da personagem. E ainda citava a outra personagem Illaoi como a mulher mais feia de League of Legends (o que para mim é a Zyra), e colocava a Talyiah como a segunda mais feia do jogo.



E daí, depois de ser provocada pela comunidade, a RIOT  - mais especificamente o Designer da personagem - deram uma resposta maravilhosa aos jogadores.

Reproduzo a tradução da resposta a seguir:

Zyra: Mulher planta, mas altamente sexy.
"O League tem um recorde (menor do que o perfeito) em objetificar personagens mulheres. Não há nada de errado com uma campeã colocar sua sexualidade como principal(...). MF e Ahri? Faz total sentido.

O problema não é que havia algumas mulheres objetificadas, mas que não havia NENHUM OUTRO TIPO (se não uma criança ou yordle). Restringir os tipos de corpo é limitante para nós, como criadores. Nós só podemos fazer um tipo de corpo? (...).


Miss Fortune: Roupa mínima
cobrindo o seu torso.
Nossas personagens mulheres mais recentes têm sido muito mais interessante. Da aparência monstruosa de Kalista a Rek'sai, um monstro de verdade... Da Illaoi e sua imagem de 'quebrar ossos ensinam melhor do que sermões' ao visual etéreo e animalesco da Ovelha [Kindred].
Essas personagens não fazem seu tipo? OK! Nós já temos 33 mulheres sexualizadas no jogo (eu fui e contei). Estou certo de que faremos outra personagem sexy no futuro. (...)

Taliyah é uma jovem lutando com um poder elemental diferente de qualquer coisa já vista. Ela é uma garota lutando para proteger seus entes queridos de um antigo poder e preocupada de que vá feri-los. Ela é uma garota crescendo em uma época de conflitos centrada em sua terra natal, e sua viagem é um dos domínio sobre seu poder. Quando, no meio disso tudo, ela iria falar: 'e enquanto isso eu vou ser sexy para o meu encontro em Shurima?'.

Veja o quão coesa Taliyah é. Quem ela é, o que ela faz, como ela é ... Tudo isso faz sentido tomado como um todo. Por que ela tem essa aparência? Porque FAZ SENTIDO."

Uma resposta muito linda e interessante! Eu, sinceramente, não esperava esta resposta da RIOT, dona do jogo mais troll hue-br que existe no mundo. Mas não! A resposta foi muito massa, porque colocou todos os argumentos alí, parecia que eles ouviram as jogadoras empoderadas ao elaborar a resposta.

E o pior de tudo: A Riot (empresa da qual não sou grande fã) deu um show e se saiu muito melhor do que a Blizzard (empresa da qual sou mega fã). É por este motivo que encontrei forças para escrever este texto apesar de estar atolado de coisa para escrever e já ser meia noite.

Akali Enfermeira: Diretamente saída de um Sexy Shop.
Entenda: faz pouco tempo houve uma polêmica com a personagem principal de Overwatch, a Tracer. A polêmica envolvia o fato da personagem ser sexualizada, tanto na sua postura de vitória quanto na sua roupa que evidencia demais a bunda. Houve uma grande discussão e polêmica. De um lado homens (mas não apenas) chamando as mulheres de mimizentas e do outro lado mulheres (mas não apenas) exigindo uma representatividade melhor das mulheres, principalmente da protagonista. A Blizzard ficou meio que em cima do muro, e depois entregou uma nova pose, que não agradou tanto as mulheres e agradou os homens que comemoraram um "bem feito para a feministas!".



Apesar da Blizzard ter personagens umas femininas bem legais e pouco sexualizadas em Overwatch, como Mei-Ling, que é toda coberta ou a D.VA que passa a maior parte do tempo dentro do seu Mecha; ela foi cometer um erro justo com a protagonista, e deu uma resposta muito meia-boca.

Enquanto que a resposta da Riot é bem melhor, porque ela evidencia e deixa bem claro que existe uma objetificação das mulheres e que é preciso de novas representações femininas.

Desta vez sinto muito Blizz, mas você perdeu essa.

sábado, 9 de abril de 2016

A primeira grande batalha da Tracer


Faz pouco tempo aconteceu uma treta no universo de Overwatch. Uma jogadora reclamou de um das poses de vitória da personagem Tracer, que não condiz com a personalidade da personagem e que, além do mais, a hiper-sexualiza. O nome da pose é "Over the Shoulder" e a imagem se encontra logo abaixo:



Daí a Blizzard resolveu que iria retirar a pose, e a comunidade do Overwatch foi a loucura, com muitos homens reclamando da decisão e com um bom número de mulheres defendendo a retirada da pose. Uma leitura que recomendo sobre o acontecido se encontra aqui.

Segundo relatos, por um momento o fórum estava polarizado entre os a favor e os contra a mudança. Em síntese:

Argumentos a favor:
- A postura não condiz com a personalidade da personagem;
- A sexualização da Tracer é desnecessária, pois já existe a Widowmaker e a Symmetra;
- É preciso mais representações femininas nos games que vão além do apelo sensual;
- Mais parece que ela tá nua com a bunda pintada de amarelo.

Argumentos contra:
- Não há nada de sensual na pose dela;
- A bunda dela não tem nada demais;
- Outros personagens também possuem a pose Over the Shoulder e ninguém reclama
- As feministas estão deixando o mundo chato.

Mas o que estava feito, estava feito. A pose foi removida e a Blizzard colocou a nova pose da Tracer. Para alegria de uns e decepção de outros (não necessariamente todos do mesmo lado), a nova pose da personagem é a seguinte:



E depois de ver a imagem e ver as reações das pessoas sobre a imagem, lendo por aí, vendo memes, comentários em alguns blogs, assistindo alguns videos bem infelizes e passeando pelo estranho mundo da internet e se deparando com memes; depois de um percurso de pesquisas sobre reações, eu retomo a minha grande conclusão:

A comunidade Gamer é muito Machista,
 não sabe dialogar e respeitar as mulheres.

Não diga?! (Ironia mode on)
Valha cara, mas porque essa conclusão?

Em primeiro lugar porque a grande reação da comunidade (de homens) diante da pose da personagem é resumida nesta frase "Para nossa alegria a nova pose permanece sensual". Geral nos espaços onde eu fui observar a reação estava comemorando a nova pose como um "tapa na cara das malditas feminitas (sic)"e um "e se reclamarem de novo vai ter Tracer de Biquíni".

Para começar estas reações mostram como a comunidade dos gamers-machistas é contraditória e sem muita credibilidade. Em um primeiro momento, o argumento era que a pose não tinha NADA de sensual, mas quando a nova pose chegou o povo começou a comemorar dizendo que a pose PERMANECEU sensual.

"Viu? Nenhuma mina falou e já foi chamada de lunática"
Homens não são criados, de uma maneira geral, para realmente ouvir e respeitar as mulheres. Claro que hoje temos uma geração melhor do que a anterior, mas ainda temos um ranço machista muito forte.

Mulheres que entraram nos fóruns para expor os seus pontos de vista a favor de retirar a pose antiga foram hostilizadas pelo público de Overwatch. Elas foram chamadas de vadias, putas, arrombadas, desocupadas que não tinham louça para lavar¹, e feministas-chatas ou feminazis - inclusive quando nenhuma das minas chegou a fazer qualquer menção ao feminismo. A contra-argumentação masculina foi principalmente baseada na ofensa as mulheres do que em contrapor os argumentos, guardadas as exceções, que foram poucas nos espaços onde eu pude ver.


Mesmo antes da nova pose ser anunciada, já havia o claro sinal de que a comunidade gamer não sabe ouvir as mulheres.
As mulheres falam:
- Não gostamos da forma hipersexualizada da bunda dela.
E os homens respondem:
- Homens também tem a pose Over the Shoulder e vocês nem estão reclamando!

A comunidade diz que não é pela sexualidade, mas quando sai a nova
pose, aparece esta edição com um X-PLUS na bunda. Sacou a incoerência?
O que demonstra falsa-simetria e esclarece como a gente não consegue ouvir DE VERDADE as mulheres. Quando elas falam da "hipersexualização da bunda" a gente escuta "de costas olhando para trás". Complicado. Ainda mais porque há uma falsa-simetria: para quê questionar a Over the Shoulder dos homens se em nenhuma eles estão com as bundas sexualizadas (que dirá hipersexualizadas)?

Não consigo ver a bunda do Hanzo! Cadê?

Ok, mas e aí? Onde eu quero chegar com este post? O que tem demais no fato de uma pose?

Pois bem: recentemente uma pesquisa da Universidade de Ohio com 293 mulheres jogadoras descobriu que 100% delas já sofreram assédio dentro do jogo. CEM-POR-CENTO! E com assédio, eu não estou falando de "ah, sua gera é mais fraca que a minha" ou então "nossa, como você é n00b". Os assédios que as mulheres sofrem são insultos sexistas, pedidos de favores sexuais, piadas (e ameaças) de estupro, insultos físicos e o Stalking, que é o ato de descobrir a identidade da jogadora e a perseguir nas redes sociais.

E um dos fatores que leva a isto (um dos, não apenas o único) é o fato de que as mulheres estão quase sempre sendo retratadas como objetos sexuais. Isto reforça aspectos da nossa cultura machista que não nos ensina a respeitar as mulheres, Ao contrários, nos ensina, de forma bem subliminar, a tratar mulheres como objetos. E isto não é dito de forma aberta, é feito de forma muito subliminar, sempre colocando as mulheres como indefesas, ou fazendo com que suas histórias girem em torno de homens ou fazendo com que todas as mulheres sejam sexualizadas.

E são estas pequenas impressões que reforçam dentro da cabeça dos homens, de forma até não-consciente, de que mulheres podem ser humilhadas apenas por serem mulheres, que mulheres podem ser abusadas, espancadas, violentadas, como se fossem objetos para uso dos homens. São estes fatores que colaboram para a desumanização das mulheres, para o machismo nosso de cada dia.

O machismo existe sim, e isto torna o mundo um lugar pior para as mulheres. E na maioria dos casos os agressores são pessoas próximas, principalmente companheiros. Homens que se sentem legitimados pela nossa cultura machista.

Como romper com isto? Precisamos ouvir mais as mulheres, e parar de querer comandar questões que dizem muito mais respeito a elas (para não dizer unicamente respeito a elas) como a questão de como as mulheres são representadas nas mídias, como televisão, filmes, revistas e em videogames.

Precisamos aprender a respeitar as opiniões das mulheres, a debater com opiniões femininas sem chamá-las de putas, feminazis, desocupadas, mal comidas ou lunáticas. Precisamos aprender o que significam suas pautas, e colocar nossas argumentações de forma não ofensiva. Aprender a ouvir realmente as mulheres, seja virtualmente ou seja nos ambientes onde vivemos. Nós, homens, como principais responsáveis pelas violências que as mulheres sofrem, precisamos mudar de postura.

Como já disse anteriormente, considero Tracer uma grande protagonista para Overwatch por sua história, postura e potencial narrativo (se este potencial vai ser aproveitado é outra história). E o intrigante é que a protagonista que possui representações tão interessantes de personagens femininas já possui a sua primeira batalha, sem uma conclusão ainda final: A batalha contra o machismo da comunidade e o machismo velado da produtora.

Se esta história ainda renderá algo, não sei. Mas, no mínimo, fica a reflexão e o chamado para que nós possamos rever nossas posturas. Afinal, como a protagonista do jogo gosta de falar: "Novos heróis são sempre bem vindos", e essa coisa de hostilizar mulher é coisa de vilão.




POST SCRIPTUM: Vou adicionar mais duas imagens na postagem para reflexão
Como seria a pose de Genji se ele fosse mulher.
Mas ele é homem, então não tem uma pose assim.
A Cosplayer Tasha, reproduzindo a pose. A roupa
se comporta de uma maneira diferente do que no jogo.